quinta-feira, janeiro 25, 2007

O dedo na ferida

"O que me desagrada nesta campanha - feita mais para os homens do que para as mulheres - é que ela passa ao lado, mais do que isso, desrespeita, ignora, menospreza, o carácter essencialmente existencial, vivido, do problema do aborto. É por isso que o aborto é mais uma questão das mulheres, como é a maternidade, e não é totalmente extensível e compreensível aos homens. Este é um dos casos que esquecemos muitas vezes, quando achamos que a igualdade é algo de adquirido sob todos os aspectos, e que tem a ver apenas com a sociedade, a economia, a cultura e o direito.

Não, pelo contrário, há desigualdades, "diferenças" no dizer politicamente correcto, estruturais entre os seres humanos, uma das mais fundamentais é a que a maternidade introduz entre homens e mulheres. E para as mulheres, que, quase todas, ou abortaram ou pensaram alguma vez em abortar, ou usam métodos conceptivos que à luz estrita do fundamentalismo são abortivos, o aborto de que estamos a falar neste referendo não é uma questão de opinião, argumento, razão, política, dogmática, mesmo fé e religião. Também é, mas não só. É uma questão de si mesmas consigo mesmas, íntima, própria, muitas vezes dolorosa e nalguns casos dramática. Não é matéria sobre que falem, se gabem, argumentem ou esgrimam como glória ou mesmo como testemunho. Não é delas que vem esta estridência, nem é por elas que vêm os absurdos do telemóvel, do pinto, do ovo, do Saddam Hussein, do coraçãozinho. É mais provável que sintam tudo isso mais como insultos do que como argumentos que lhes suscitem a atenção. No seu silêncio votarão ou abster-se-ão, mas é por elas, por si, pelo seu corpo, pelos seus filhos, pelo seu destino, pela sua vergonha, pela sua dor, pela sua miséria, pelas suas dificuldades económicas, pela sua vida, pelos seus erros, pelas suas virtudes."

Pacheco Pereira, Público 25/01/2007

sábado, setembro 09, 2006

Breakfast in América

É de manhã, 7 em Chicago, acordei às 5. São 11 em casa.
Pequeno almoço num pub/bar (whatever), elephant & castle, decorado accordingly onde se ouve o Sinatra, depois a Billie.

Como estou hoje? resmungo qualquer coisa em resposta. O que quero de pequeno almoço hoje?(todos os pratos com pelo menos dois ovos confeccionados de formas variadas: poached, scrambled, em omelete...)

Chove lá fora e como é domingo passam poucas pessoas e poucos carros na rua à minha direita. No ecran em frente, NRA sports(!): "I have a lot of respect for these animals!", comentário (em legenda) do caçador que acabou de abater um búfalo, algures numa reserva de caça em África, com uma caçadeira de último modelo, de alta precisão, que propagandeia durante o programa. Em seguida uma mulher de cabelos louros compridos, vestida com pouca roupa, estampada com motivos camuflados, que vai pescar peixe-gato no delta do Mekong...

Como um bagel com uma quantidade enorme de ovo e com bacon.
Quanto é 15% de 12,93?
O 9/11 é amanhã.

quarta-feira, maio 03, 2006

fim de frase

...,enquanto o feixe de fotões, incidindo num alvo de berílio, produzia hadrões “com charme".