sábado, maio 29, 2010

GPS

Manhã azul e fria. As casas, como sempre, desciam a rua, ou a rua descia as casas, pela estrada de pedras negras, irregulares com ervinhas nos intervalos. As pombas no quintal abandonado eram muitas e estavam gordas. As janelas da casa que ficava fora da rua principal, abertas ao ar e ao sol. As janelas da casa onde vivia eram janelas onde o sol não entrava, só o ar. Frio. Não estaria no local indicado: faltavam talvez 90 graus rodados no sentido contrário ao dos ponteiros dos relógios. Um quarto de volta de vida.

quinta-feira, março 18, 2010

Segunda habitação

A minha segunda habitação passa a ser esta a partir de hoje. Mudo parte da mobília para lá. Com  O primeiro voto,  sobre Carolina Beatriz Ângelo,  inicío uma série de textos sobre mulheres e homens que têm lutado para estancar o tal dilúvio.

quarta-feira, março 10, 2010

Não é que não resisto!

Inês Pedrosa, no Expresso de 27 de Fevereiro de 2010,  a propósito do Hitchens e dos sonsos que por cá andam:
 
"O vendaval das ideias é abafado à nascença pelos biombos do certo e do errado definidos de um modo insidioso, através da repressão dos instintos e das iluminações. É só nisso que os sonsos são bons."

segunda-feira, março 08, 2010

Outro que anda por cá

"Minha senhora de mim  

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

sem ser dor ou ser cansaço
nem o corpo que disfarço

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

nunca dizendo comigo
o amigo nos meus braços

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

recusando o que é desfeito
no interior do meu peito" 

Maria Teresa Horta

Da Maria Teresa Horta

Li-o quando adolescente. Nunca mais me foi estranho.

"Poema sobre a recusa

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda."